Junior dos Santos e Fabricio Werdum se reencontram, mas desta vez a história deixa as luvas de lado.
Os ex-campeões peso-pesado do UFC estão escalados para uma luta de grappling no dia 8 de agosto, no Kings Championship 2, em Florianópolis, Brasil. Este será o terceiro capítulo da história entre dois nomes ligados a uma das eras mais fortes da categoria peso-pesado do UFC.
Dos Santos detém os dois primeiros resultados. O primeiro ocorreu em 2008, quando ele chegou ao UFC como um desconhecido perigoso e nocauteou Werdum em pouco mais de um minuto. O segundo veio 15 anos depois, sob as regras do MMA sem luvas, onde Dos Santos venceu por decisão dividida apertada.

Agora o cenário muda completamente. Nada de trocas de golpes, nada de luvas pequenas, nada de pesos-pesados trocando golpes na curta distância. Esta luta entra no mundo de Werdum: pegadas, pressão, guarda, passagens de guarda, finalizações e o antigo orgulho dos pesos-pesados em solo brasileiro.
Werdum finalmente consegue as regras que queria.
Werdum pode estar perdendo por 2 a 0 na série, mas o terceiro encontro lhe oferece o caminho mais fácil que ele já teve contra dos Santos.
Ele é um dos lutadores de grappling mais condecorados da história a conquistar um título do UFC. Campeão do ADCC. Campeão mundial da IBJJF. Um peso-pesado que finalizou Fedor Emelianenko no Strikeforce e, posteriormente, finalizou Cain Velasquez para se tornar campeão indiscutível do UFC.
É por isso que este confronto parece diferente dos dois primeiros. No MMA, Dos Santos poderia manter Werdum à distância, no boxe, e fazer da luta um combate baseado em seus golpes. No grappling, Werdum não precisa absorver golpes para chegar às posições onde passou a vida inteira vencendo.
Para Werdum, esta é a versão da rivalidade que deveria ter sido dele desde o início.
- Junior dos Santos e Fabricio Werdum se enfrentam novamente em 8 de agosto.
- A partida acontece no Kings Championship 2 em Florianópolis, Brasil.
- O terceiro encontro será disputado sob as regras de luta agarrada.
- Dos Santos derrotou Werdum por nocaute em sua primeira luta no UFC, em 2008.
- Dos Santos também venceu a revanche de MMA sem luvas de 2023 por decisão dividida.
- Ambos são ex-campeões peso-pesado do UFC.
Dos Santos entra em território inimigo.
Dos Santos tem vantagem no confronto direto, mas o formato não o favorece no papel.
Sua ascensão no UFC foi construída sobre boxe, jogo de pernas e uma velocidade de mãos que fazia os pesos-pesados parecerem lentos. O nocaute sobre Werdum em sua estreia mudou sua vida instantaneamente. A partir daí, ele venceu sete lutas consecutivas no UFC e, eventualmente, derrotou Cain Velasquez para conquistar o cinturão dos pesos-pesados.
Essa versão de “Cigano” se baseava em um jab, um direto de direita e na confiança de que a maioria dos pesos-pesados não conseguia acompanhar sua velocidade. O grappling elimina grande parte dessa segurança.
Ainda assim, dos Santos não entra nessa luta desprevenido. Ele passou a carreira defendendo quedas contra pesos-pesados, sobrevivendo a clinches, se movimentando sob pressão e lidando com grapplers de elite do MMA que queriam levá-lo para o chão. Werdum é o especialista, mas dos Santos sabe como os corpos dos pesos-pesados se movem em posições desfavoráveis.
| Capítulo da trilogia | O que aconteceu |
|---|---|
| Primeiro encontro | Dos Santos nocauteou Werdum em sua estreia no UFC em 2008. |
| Segunda reunião | Dos Santos venceu Werdum por decisão dividida em uma luta de MMA sem luvas em 2023. |
| Terceira reunião | Eles se enfrentarão em uma luta de grappling no Brasil, no dia 8 de agosto. |
| Vantagem de Werdum | Experiência de jiu-jitsu e finalizações de nível mundial |
| Dos Santos' edge | Duas vitórias na rivalidade e anos de experiência defensiva na categoria peso-pesado. |
O aspecto da saúde faz do grappling o formato ideal.
As regras de luta agarrada são importantes por outro motivo.
Werdum enfrentou sérios problemas de saúde nos últimos anos, incluindo relatos de lesões cerebrais e sintomas relacionados a traumatismo craniano. Um retorno completo ao MMA representaria um risco muito maior do que esse tipo de luta.
Isso não torna o grappling inofensivo. Os pesos-pesados ainda podem colidir, torcer articulações, se desequilibrar e se machucar. Mas, comparado a outra luta de MMA entre dois ex-campeões veteranos, esse formato elimina a parte mais perigosa: os golpes repetidos na cabeça.
Para Dos Santos, o momento também é interessante. Ele lutou recentemente contra Robelis Despaigne no MVP MMA 1 e sofreu uma rápida derrota por nocaute. Antes disso, nocauteou Alan Belcher em 2024, pelo Gamebred. Ele tem se mantido mais ativo que Werdum, mas a atividade nesta fase também traz mais riscos.
Isso confere à luta um equilíbrio peculiar. Werdum possui uma base mais sólida em grappling puro. Dos Santos tem sido o atleta de combate mais ativo. Ambos já passaram do auge. Ambos ainda carregam nomes que os fãs brasileiros de MMA reconhecem imediatamente.
O Brasil encerra de forma mais limpa uma antiga rivalidade.
A luta entre Dos Santos e Werdum 3 não tem a ver com rankings de títulos ou com um caminho de volta ao UFC.
Trata-se de dois ex-campeões levando uma antiga rivalidade para um formato que nunca haviam utilizado antes. A primeira luta impulsionou a carreira de Dos Santos. A segunda lhe rendeu outra vitória anos depois. A terceira oferece a Werdum a chance de dar o troco sem precisar trocar socos com um dos melhores boxeadores peso-pesado de sua geração.
A luta também combina com o Brasil. Ambos os lutadores construíram suas reputações internacionalmente, mas este capítulo pertence ao Brasil. Florianópolis terá dois campeões peso-pesado do UFC, uma rivalidade que se estende por quase duas décadas e um conjunto de regras que muda completamente a situação.
Dos Santos tem a vantagem na pontuação. Werdum tem a vantagem no chão. No dia 8 de agosto, a rivalidade deixa de ser sobre quem acerta o golpe primeiro e passa a ser sobre quem consegue controlar o tatame.

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