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O ultimato de Eric Spicely ao UFC chocou os fãs.

Eric Spicely UFC

A vitória mais estranha de Eric Spicely no UFC começou com um erro de arbitragem.

Antes de se tornar um comediante com o timing cômico de um lutador, Spicely era o tipo de peso-médio que a velha máquina do UFC podia triturar rapidamente: um ex-participante de reality show, derrotado em sua estreia na organização, de repente descartável. Segundo Spicely, o ex-casador de lutas Joe Silva ligou após a derrota para Sam Alvey com uma opção que mal podia ser chamada de opção. A empresa pretendia dispensá-lo, mas a papelada não havia sido concluída. Restava apenas uma vaga: Thiago Santos, no Brasil, com Santos em boa fase no ranking e com o ímpeto de lutar em casa.

Spicely aceitou a proposta de imediato. Sem teleconferência com a equipe, sem avaliação cuidadosa de riscos, sem tentativa de negociar uma saída mais tranquila. A frase que ele se lembra foi brutal em sua simplicidade: “Vamos para o Brasil, eu topo”. Em um esporte que vende coragem aos montes, isso foi menos bravura de filme e mais matemática de emprego.

Eric Spicely UFC

Eric Spicely dá ultimato ao UFC antes da derrota para Thiago Santos

A história, contada por Spicely no podcast de Shawn Johnson, impacta porque vai além da linguagem polida geralmente usada em torno das decisões sobre o elenco. Os lutadores nem sempre são dispensados ​​por não conseguirem vencer. Podem ser dispensados ​​porque a luta foi sem graça, o momento é ruim, a categoria está lotada ou a próxima luta disponível é uma que os casadores de lutas esperam que eles percam. Spicely disse que Silva foi direto ao ponto: aceite o Santos no Brasil ou vá embora.

Essa é uma tarefa árdua mesmo antes de considerarmos o local. Santos era o 15º colocado no ranking dos pesos-médios na época, perigoso, explosivo e já construindo a reputação que o levaria a uma disputa de título dos meio-pesados ​​contra Jon Jones. Spicely, por sua vez, havia sido derrotado por Alvey após ser eliminado nas semifinais da 23ª temporada do The Ultimate Fighter. As casas de apostas o colocavam com odds em torno de +450, o que não é exatamente uma previsão, mas sim uma demonstração de desdém por parte do público.

Como Spicely reverteu uma ameaça de corte em uma luta no Brasil.

A reviravolta é que a luta, que parecia fadada ao fracasso, acabou se tornando a melhor noite de sua trajetória no UFC. Spicely finalizou Santos no primeiro round, um resultado que parecia absurdo no papel e totalmente lógico quando a luta foi para o chão. Isso não o transformou em uma estrela, e não fez a lógica implacável do UFC desaparecer. Mas lhe deu a prova de que ele pertencia àquele nível, pelo menos por uma noite em que quase todos que tinham uma planilha o davam como carta fora do baralho.

  • Spicely perdeu sua estreia no UFC contra Sam Alvey em 2016.
  • Segundo Spicely, Joe Silva ofereceu-lhe posteriormente o Thiago Santos, do Brasil, em vez de o libertar.
  • Spicely era considerado azarão, com odds de aproximadamente +450, para o confronto contra Santos.
  • Ele finalizou Santos por submissão no primeiro round e, posteriormente, fez sete aparições no UFC em duas passagens pela organização.

Thiago Santos UFC

Por que a história de Eric Spicely ainda incomoda no UFC de hoje?

A lembrança de Spicely também revela muito sobre a pressão invisível por trás de cada luta preliminar e de cada decisão tomada em cima da hora. Os fãs costumam falar sobre cortes como se uma vaga no plantel fosse apenas um registro de vitórias e derrotas. O UFC nunca funcionou de forma tão transparente. Valor de entretenimento, disponibilidade, situação contratual, local e futuros confrontos são fatores que influenciam o resultado oficial, e é por isso que até mesmo lutadores de sucesso podem descobrir que uma vitória sem brilho não garantiu muita coisa.

No caso de Spicely, a situação era excepcionalmente delicada: enfrentar um adversário desastroso ou recomeçar do zero em outro lugar. Seu treinador, segundo o próprio Spicely, não queria nem ouvir falar da viagem e achava que uma ida para o Bellator contra oponentes mais fáceis fazia mais sentido. Essa reação não foi covardia; foi uma avaliação profissional do perigo. Santos era o tipo de oponente que poderia derrotar um peso-médio mediano do UFC em minutos, e uma derrota humilhante no Brasil tornaria a próxima negociação de contrato de Spicely ainda mais difícil. Em vez disso, a vitória mudou seu futuro imediato e deu a Santos um caminho tortuoso antes da ascensão posterior do brasileiro na categoria dos meio-pesados.

Detalhe O que aconteceu
Lutador sob pressão Eric Spicely, vindo de uma derrota em sua estreia no UFC
Casamenteiro envolvido Ex-executivo do UFC, Joe Silva
O oponente ofereceu Thiago Santos, então um peso-médio ranqueado
Fator de localização A luta foi oferecida em nome do país natal de Santos, o Brasil.
Visão de mercado Spicely estava cotada em torno de +450 pelas casas de apostas.
Resultado Spicely venceu por finalização no primeiro round.

Há um humor negro em toda essa história, que provavelmente combina mais com Spicely agora do que combinava naquela época. Um lutador quase perdeu o emprego porque uma liberação passou despercebida, mas conseguiu mantê-lo ao derrotar justamente o homem que lhe foi apresentado como a saída definitiva. A última aparição de Spicely no MMA aconteceu em 2023, após uma carreira no UFC que totalizou sete lutas no octógono.

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